2026-10-10 · INDUSTRY NEWS
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Sites clandestinos de apostas intensificam assédio a apostadores após bloqueio

Reportagem aponta aumento de convites e anúncios de plataformas ilegais, sobretudo cassinos chineses, enquanto governo soma bloqueios e remoções.

· knight888
Sites clandestinos de apostas intensificam assédio a apostadores após bloqueio

O bloqueio de plataformas de apostas no Brasil tem sido acompanhado pelo crescimento do assédio de sites clandestinos a apostadores, sobretudo pessoas com histórico de dependência. Segundo o Estadão, pacientes relatam convites e anúncios de plataformas estrangeiras, principalmente cassinos chineses, divulgados de hora em hora em grupos de aplicativos de mensagem. Em fóruns de apostas esportivas, as mensagens se concentram à noite, perto de partidas de futebol no Brasil e em outros países da América Latina; cambistas vendem bilhetes com combinações de resultados. Em grupos de cassinos online, os anúncios crescem no fim da noite, prometendo lucro fácil, bônus altos e dinheiro garantido pela inscrição.

Desde a proibição, em 25 de setembro, o governo federal pediu o bloqueio de 13.241 sites ilegais. O Ministério da Fazenda afirma que, dos 188 sites autorizados que operavam no país, apenas um seguia acessível na segunda-feira (5). Também foram solicitadas a remoção de 3.552 páginas, perfis, canais, grupos e servidores ligados à divulgação de apostas ilegais, com alcance estimado de 17,2 milhões de usuários.

A Besafe, que oferece ferramenta de bloqueio, registrou 840 novos usuários por dia na última semana, 68% acima da média de 500, e ampliou de 200 mil para 500 mil as plataformas bloqueadas em 30 dias, segundo o fundador Claudio Henrique. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) divulgou estudo segundo o qual uma eventual proibição de cassinos online poderia elevar a fatia de sites ilegais de 41% para 82% do setor. O psicólogo Rafael Ávila, fundador da Associação de Proteção e Apoio ao Jogador, relatou recaídas de pacientes nas últimas duas semanas. O Ministério da Saúde iniciou campanha sobre os riscos das apostas e diz ter capacitado 40 mil profissionais do SUS. Até 25 de setembro, mais de 1,3 milhão de brasileiros haviam pedido autoexclusão, e 51% declararam relação direta com problemas de saúde.